18 de janeiro de 2013

SURDO!?! hã?


Esta música diz bastante sobre isso. Deixe de ser um superman.

Todos estão surdos? Todos eu não sei, mas muita gente está!

SÓ UM PEDAÇO DE PAPEL COLORIDO?

|18 DE JANEIRO|

LEMBRO-ME de certa vez quando dei uma palestra para a Força Aérea e que um velho e experiente oficial levantou-se e disse: "Não sei qual a utilidade disso tudo. No entanto, veja bem, eu também sou um homem religioso. Sei que há um Deus. Eu o senti quando estava sozinho, no deserto, à noite: um grande mistério. E esta é precisamente a razão por que eu não acredito nos seus dogmas e nas suas fórmulas reducionistas e bem comportadas sobre Deus. Para qualquer um que já o tenha encontrado, tudo isso parece ser tão mesquinho, pedante e irreal!". 
De certa forma, até concordei com aquele homem. Penso que ele deve ter tido alguma experiência real com Deus no deserto. E quando ele voltou dessa experiência para os credos cristãos, acredito que ele voltou de algo real para algo menos real. Da mesma forma que uma pessoa olha da praia para o oceano Atlântico e, depois, olha para o Atlântico no mapa - ela também estará voltando de algo real para um pedaço de papel colorido. Porém, é aí que está o ponto. O mapa é reconhecidamente um pedaço de papel colorido, mas há duas coisas que você deve lembrar. Primeiro, ele é baseado no que milhares de pessoas descobriram navegando o Atlântico de verdade. Dessa forma, um indivíduo tem atrás de si milhares de experiências tão reais quanto a que você poderia ter tido na praia; com a diferença de que, enquanto a sua seria um vislumbre único, o mapa reúne todas as variadas experiências. Segundo, quem está apenas interessado em fazer algumas caminhadas na praia, a visão pessoal é muito mais agradável do que olhar para um mapa. Acontece que o mapa terá mais utilidade do que as caminhadas pela praia se você deseja chegar a outro continente.

[C. S. Lewis]
- de Mere Christianity [Cristianismo Puro e Simples]

17 de janeiro de 2013

SEMPRE AGORA

|17 DE JANEIRO|

TODA pessoa que acredita em Deus, de uma forma ou de outra, crê que ele sabe o que você e eu faremos amanhã. Porém, se ele sabe que eu agirei de certa forma, como eu poderia ter liberdade de agir de outra maneira? Temos aqui, mais uma vez, a dificuldade de achar que Deus percorre a linha do tempo da mesma maneira que nós, sendo que a única diferença é que ele pode chegar além, enquanto nós não. Bem, se isso fosse verdade, se Deus tivesse previsto para os nossos atos, seria muito difícil entender como poderíamos ter a liberdade de praticá-los ou não. Mas suponha que Deus esteja acima e além do plano temporal. Nesse caso, o que nós chamamos de "amanhã" estaria visível  para ele da mesma forma que o que chamamos de "hoje". Todos os dias são "agora" para Deus. Ele não se lembra do que fizemos ontem, simplesmente nos vê agindo, pois, embora "ontem" já tenha passado para nós, não passou para ele. Deus não prevê o que faremos amanhã, simplesmente nos  agindo, porque embora o dia de amanhã não tenha chegado para nós, para ele está presente. Jamais supomos que nossas ações do presente fossem menos livres simplesmente porque Deus sabe o que estamos fazendo. Ele sabe até o que você vai fazer no futuro, pois já se encontra no "amanhã" e pode simplesmente observar você. De certa forma, Deus não conhece a sua ação enquanto você não a tiver praticado; mas depois, no momento em que você a tiver executado, já é "agora" para ele.

[C. S. Lewis]
- de Mere Christianity [Cristianismo Puro e Simples]


16 de janeiro de 2013

NOSSAS TRÊS POSSÍVEIS RESPOSTAS PARA DEUS

|16 DE JANEIRO|


NÃO É simplesmente porque Deus arbitrariamente nos fez de tal forma que ele é o nosso único bem. Na verdade Deus é o único bem de todas as criaturas. E, por necessidade, cada uma delas precisa achar o seu bem naquele tipo e grau de fruição de Deus que é próprio da natureza. O tipo e o grau podem variar de acordo com a natureza da criatura, mas a ideia de que pudesse haver algum outro bem é um ilusão ateísta. George Macdonald, em um trecho que não consigo encontrar agora, representa Deus falando ao ser humano: "Você precisa ser forte pela minha força e abençoado por minha benção, pois nada tenho além disso para lhe dar". Eis aí a conclusão da história toda. Deus dá o que ele tem, e não o que não tem. Ele oferece a alegria que existe, e não uma alegria inexistente. Ser Deus, ser à sua semelhança (compartilhando e respondendo à sua bondade na condição de criatura), ou ser miserável - são as únicas três alternativas. Se nos recusarmos a comer o único alimento que cresce no universo -o único alimento que qualquer universo jamais poderia oferecer - seremos obrigados a continuar eternamente famintos.


[C. S. Lewis]
- de The Problem of Pain [O Problema do Sofrimento]

15 de janeiro de 2013

NOSSA ATIVIDADE MAIS NOBRE


|15 DE JANEIRO|

SE O MUNDO existe não para que amemos a Deus, mas principalmente para que ele nos ame, ainda assim, isso acontece, num nível mais profundo, por nossa causa. Se ele, que existe em si mesmo e não precisa de nada, opta por precisar de nós, é porque precisamos que precisem de nós. Antes e por trás de todos os relacionamentos de Deus para com o homem, conforme aprendemos no cristianismo, existe um ato divino de pura doação – a eleição do ser humano, a partir da não-existência, para tornar-se o amado de Deus, e portanto (em certo sentido) o necessário e desejado de Deus, que para esse ato não precisa e não deseja nada, já que ele eternamente tem, e é, toda a bondade. E esse ato é por nossa causa. É bom conhecermos o amor; e melhor ainda é conhecer o melhor objeto de amor: Deus. Porém, conhecer esse amor como se nós fôssemos primariamente os selecionadores, e Deus o selecionado, como se nós o procurássemos e ele fosse encontrado, em que a adequação dele às nossas necessidades, e não a nossa as dele, viesse primeiro, seria conhecê-lo de uma forma falsa de acordo com a própria natureza das coisas. Não passamos de criaturas; nosso papel tem de ser sempre o do paciente para o agente, da fêmea para o macho, do espelho para a luz, do eco para a voz. Nossa atividade mais nobre deve ser a de resposta e não de iniciativa. Experimentar o amor de Deus de uma forma verdadeira e não ilusória é, portanto, experimentá-lo como uma entrega às suas exigências; nossa conformidade para com o seu desejo. A experiência contrária significa, por assim dizer, um atentado contra a gramática do ser.

[C. S. Lewis]
– de The Problem of Pain [O Problema do Sofrimento]

14 de janeiro de 2013

VISÕES OFUSCADAS DE DEUS


|14 DE JANEIRO|

TRATANDO-SE de conhecer a Deus, a iniciativa veio da parte dele. Se ele não se mostra, não há nada que você possa fazer para encontrá-lo. E, de fato, ele se revela muito mais a certas pessoas do que a outras, não porque tenha favoritos, mas porque é impossível que ele se mostre a um ser humano cuja mente e caráter estão em péssimas condições. É como a luz do sol que, embora não tenha preferências, não consegue refletir-se num espelho sujo de forma tão clara quanto num espelho limpo. Você pode colocar isso de outra forma dizendo que, enquanto em outras ciências os instrumentos são coisas externas a você mesmo (como microscópios e telescópios), o instrumento por meio do qual você vê a Deus é seu próprio ser. E se esse “ser” não for mantido limpo e luminoso, sua visão de Deus ficará obscurecida – à semelhança da lua vista por um telescópio sujo. Eis por que nações horríveis têm religiões horríveis: elas sempre olharam para Deus com lentes sujas.

[C. S. Lewis]
– de Mere Christianity [Cristianismo Puro e Simples]

13 de janeiro de 2013

GUERRA NOS CÉUS


|13 DE JANEIRO|

Cartas do Diabo a seu Aprendiz apresenta uma troca ficcional de correspondências entre um tentador sênior, Screwtape, e seu protegido, Wormwood. Nesta carta, Screwtape tenta esclarecer a grande rixa entre o Inimigo (Deus), e o “Pai” de todos os tentadores, Satã. Esta história tem que ser lida do ponto do outro ponto de vista.


O QUE ele pretende fazer dos homens? Eis a grande questão. Imagino que não faça mal algum dizer-lhe que havia sido essa a causa principal da rixa do Nosso Pai com o Inimigo. Quando a criação do homem foi cogitada pela primeira vez e quando, já naquele estágio, o Inimigo confessou livremente que ele previa um certo episódio sobre uma cruz, Nosso Pai, com toda a naturalidade, marcou uma entrevista, solicitando-lhe explicações. O Inimigo não deu resposta; apenas contou o conto da carochinha sobre o amor desinteressado que ele estaria pondo em circulação desde então. É claro que isso era inadmissível para o Nosso Pai. Satã implorou que o Inimigo colocasse as suas cartas na mesa e lhe deu todas as oportunidades para tanto. Ele admitiu que se sentia realmente ansioso para conhecer o segredo, e o Inimigo respondeu: “Eu queria, de todo o coração, que você fizesse isso mesmo”. Acho que foi nesse ponto da entrevista que o desgosto de nosso pai, diante de tamanha desconfiança gratuita, fez com que ele se afastasse a uma distância infinita da presença e de forma tão repentina que acabou provocando o surgimento daquela história ridícula do Inimigo, de que Nosso Pai foi expulso do céu a força. Desde então, começamos a perceber por que nosso Opressor estava tão cheio de segredos. O seu trono depende desse segredo. Membros da sua facção já admitiram que, se algum dia compreendermos o que ele quer dizer por amor, a guerra acabará e nós estaremos convidados a entrar novamente nos céus. E é aí que se encontra a grande tarefa. Sabemos que Deus não sabe amar de verdade; ninguém sabe. Isso não faz sentido. Se ao menos fôssemos capazes de descobrir o que ele está realmente tramando!

[C. S. Lewis]
– de The Screwtape Letters [Cartas do Diabo a seu Aprendiz]

12 de janeiro de 2013

QUE AMOR É ESSE?


|12 DE JANEIRO|

QUANDO o cristianismo diz que Deus ama o ser humano, isso quer dizer que Deus realmente ama o ser humano; não que ele tenha alguma preocupação “desinteressada” e totalmente indiferente com nosso bem-estar. A verdade mais terrível e surpreendente é que nós somos os objetos do seu amor. Você queria um Deus amoroso: aí está ele. O grande espírito que você invocou com tanta sensibilidade, o “senhor de aspecto terrível”, existe mesmo. Não como um velho bondoso e solene, desejoso de que você seja feliz à sua própria maneira; nem como a filantropia fria de um magistrado consciente; tampouco como um anfitrião que se sente responsável pelo conforto dos seus convidados. Trata-se do próprio fogo consumidor: o amor que criou o mundo, persistente como o amor de um artista por sua obra e autoritário como o amor de um homem por seu cachorro, providente e venerável como o amor de um pai por seu filho, ciumento, inexorável e exigente como o amor entre os amantes. Como isso deve acontecer, eu não sei. A razão por que qualquer criatura, ainda mais criaturas como nós, tem um valor assim tão prodigioso aos olhos do Criador extrapola nossa capacidade racional. Trata-se certamente de um fardo ou peso de glória que não vai apenas além dos nossos desertos, mas, salvo raros momentos de graça, além dos nossos desejos. Temos a mesma tendência das senhoras daquela peça antiga que desaprovaram o amor de Zeus. Mas o fato parece inquestionável.

[C. S. Lewis]
– de The Problem of Pain [O Problema do Sofrimento]

11 de janeiro de 2013

MUITO MAIS DO QUE MERA BONDADE


|11 DE JANEIRO|

HÁ BONDADE no amor; mas amor e bondade não são sinônimos; e quando a bondade (no sentido de que estávamos falando) é separada dos demais elementos do amor, ela envolve certa indiferença em relação ao objeto da sua benevolência, ou até mesmo certo conformismo em relação a ele. A bondade consente de forma bastante rápida com a remoção do seu objeto – todos nós já encontramos pessoas cuja bondade em relação aos animais as leva a matá-los para evitar que sofram. A bondade pura e simples não se importa se seu objeto vem a ser bom ou mau, contanto que ele escape do sofrimento. De acordo com as Escrituras, são os bastardos que são mimados; os filhos legítimos, que têm a incumbência de levar adiante a tradição da família, acabam sendo disciplinados (Hb 12.8). É para as pessoas com as quais não nos importamos nem um pouco que pedimos felicidade incondicional. Porém, quando se trata dos nossos amigos, cônjuges, namorados e filhos, somos exigentes e preferimos vê-los sofrendo do que vivendo uma felicidade conformada e alienante. Se Deus é amor, ele é, por definição, algo mais do que simples bondade. E parece, a julgar pelos registros, que apesar de Deus ter nos repreendido e condenado tantas vezes, ele jamais se referiu a nós com desprezo. Ele nos recompensou com a extravagante benevolência de seu amor por nós, no sentido mais profundo, mais trágico, mais inexorável. 

[C. S. Lewis]
– de The Problem of Pain [O Problema do Sofrimento]

10 de janeiro de 2013

ATÉ QUE FOI DIVERTIDO


|10 DE JANEIRO|

O QUE ENTENDEMOS hoje por bondade de Deus é quase que exclusivamente sua capacidade de amar; e nisto podemos até estar certos. A maioria de nós entende, nesse contexto, amor como bondade – um desejo de ver os outros felizes, e não apenas nós; felizes não por isso ou aquilo, mas simplesmente felizes. O que nos satisfaria realmente seria um Deus que dissesse, sobre qualquer coisa que nos acontecesse: “O que me importa desde que eles fiquem satisfeitos?”. O que desejamos, de fato, não é bem um pai no céu, mas um avô no céu – uma benevolência senil que, como eles dizem, “gosta de ver os jovens se divertindo”, e para quem o plano para o universo fosse simplesmente dizer ao fim de cada dia: “Tudo isso foi divertido para todos nós”. Admito que, não são muitas as pessoas, que formulariam uma teologia em termos tão precisos; mas uma concepção não muito diferente desta se oculta no inconsciente de várias mentes. Não pretendo ser uma exceção. Gostaria muito de viver num universo governado por princípios como esse. Porém, como está mais do que claro que não vivo, e já que tenho razões para acreditar que Deus é amor, apesar disso tudo, concluo que a minha concepção de amor necessita de correção.

[C. S. Lewis]
– de The Problem of Pain [O Problema do Sofrimento]

9 de janeiro de 2013

QUEM É ELE?


|9 DE JANEIRO|

TEMOS dois tipos de evidência de que de fato existe alguém [por trás da lei moral]. Uma é o universo que ele criou. Se nós o usássemos como única pista, teríamos de concluir que Deus é um grande artista (pois o universo é um lugar muito bonito) e, também, que é cruel e pouco amigo do homem (já que o universo é um lugar bastante perigoso e assustador). A outra evidência sutil é a lei moral que ele colocou dentro de nós. E essa evidência é maior do que a primeira, porque é uma informação interna. Você descobrirá mais sobre Deus observando a lei moral do que o universo em geral, da mesma forma como você descobre mais sobre uma pessoa ouvindo o que ela diz do que observando a casa que ela está construindo.

[C. S. Lewis]
– de Mere Christianity [Cristianismo Puro e Simples]

8 de janeiro de 2013

CELEBRAÇÕES DE VERÃO 2013

CELEBRAÇÕES DE VERÃO 2013 - Faça sua inscrição

Sexta-feira (11/01/13) começa a
CELEBRAÇÃO DE VERÃO 2013

Faça sua inscrição com seu líder direto.

Para o Revolution a inscrição custará R$ 35,00.
O que venderam água no sinal já está com sua inscrição paga!




Para as CELEBRAÇÕES DE INVERNO faltam

ALGO MAIS ALÉM


|8 DE JANEIRO|

PENSO que todos os cristãos concordariam comigo se eu dissesse que, embora o cristianismo pareça em princípio inteiramente dedicado à moral, aos deveres e regras, culpa e virtudes, ele vai muito além, para algo transcendente. Todos nós vislumbramos um país onde não se fala sobre fatos como a corrupção e a maldade, a não ser, quem sabe, de brincadeira. Todos nesse lugar estão cheios do que podemos chamar de bondade, da mesma forma que um espelho se enche de luz. Porém, ninguém a chama de bondade. As pessoas nem sequer a percebem. Não a chamam de nada. Estão ocupadas demais, tentando achar a fonte de onde ela vem. No entanto, este é um estágio em que a estrada ultrapassa as margens do nosso mundo. Os olhos de uma pessoa não podem enxergar muito além disso: muitos olhos podem ver melhor do que os meus.

[C. S. Lewis]
– de Mere Christianity [Cristianismo Puro e Simples]

7 de janeiro de 2013

TREMENDA BOBAGEM


|7 DE JANEIRO|

SE VOCÊ não leva muito a sério a distinção entre o bem e o mal, será fácil dizer que tudo que encontrar nesse mundo vem da parte de Deus. Porém, é claro que, se você considerar certas coisas realmente erradas, e acreditar que Deus é, de fato, bom, então não poderá falar assim. Você tem de acreditar que Deus vive separado do mundo e que certas coisas que vemos por aí são contrárias à sua vontade. Ao confrontar-se com um câncer ou uma favela, o panteísta poderia dizer: “Se você ao menos conseguisse enxergar tudo do ponto de vista divino, certamente entenderia que isso também é de Deus”. E o cristão responderia: “Não diga bobagem!”, pois o cristianismo é uma religião de luta. Ele defende que Deus criou o mundo, o espaço e o tempo, o calor e o frio, as cores e os sabores, os animais e os vegetais; tudo são coisas que Deus “tirou da cabeça”, exatamente como faz alguém que inventa histórias. Porém, o cristianismo também entende que grande parte das coisas desse mundo que Deus fez foram corrompidas, e que ele insiste, de forma bastante enfática, que restauremos as coisas novamente.

[C. S. Lewis]
– de Mere Christianity [Cristianismo Puro e Simples]

6 de janeiro de 2013

UMA TEOLOGIA PRAZEROSA


UMA razão por que muitas pessoas acham a teoria da evolução tão atraente é que ela nos proporciona o grande consolo emocional de acreditar em um Deus sem termos de assumir nenhuma consequência. Quando você se sente disposto e o sol brilha, e você não quer acreditar que o universo todo não passa de uma mera dança mecânica de átomos, é bom ser capaz de pensar nessa grande força misteriosa como uma onda gigantesca que se move através dos séculos, carregando você em sua crista. Se, por outro lado, você estiver propenso a fazer algo vergonhoso, a Força Vital, que não passa de uma energia cega, amoral e desprovida de mente, jamais irá interferir em sua vida da mesma forma como faz aquele Deus terrível, do qual ouvimos falar na infância. A Força Vital é uma espécie de Deus domesticado. Podemos acioná-la quando bem entendemos, desde que ela não interfira em nossas vidas. Podemos, assim, usufruir de todas as emoções da religião, sem nenhum custo. Seria essa Força Vital a maior expressão de falsa esperança que o mundo já viu?

[C. S. Lewis]
– de Mere Christianity [Cristianismo Puro e Simples]

5 de janeiro de 2013

INIMIGOS DA BONDADE


|5 DE JANEIRO|

É QUASE desnecessário dizer que, se existe um Deus assim – uma bondade absoluta impessoal –, você não gosta dele e também não se importará com ele. O problema é que uma parte de você está do lado dele, e realmente concorda com o protesto contra a ganância, enganação e exploração. Você poderá até querer que ele abra uma exceção no seu caso, que lhe dê uma chance só dessa vez; mas saberá no fundo, que se ele fizer isso, então não pode ser bom, porque esse poder que está por trás do mundo real detesta esse tipo de comportamento. Por outro lado, sabemos que, se existe alguma bondade absoluta, então todos os nossos esforços ao longo do processo são desesperados. Porém, se ela existir, tornamo-nos inimigos dessa bondade todos os dias, e não temos muita chance de agir melhor amanhã; e assim, mais uma vez, nossa situação vira um caso desesperador. Não podemos viver sem a bondade, mas também não podemos conviver com ela. Deus é o único consolo, ao mesmo tempo em que é o terror supremo: é de quem mais precisamos e de quem mais queremos nos esconder. Ele é o nosso único aliado possível, e nós nos fizemos seus inimigos. Há pessoas que falam de Deus como se seu olhar fixo fosse divertido. Elas precisam repensar seu comportamento, pois isso é sinal de que não estão fazendo nada mais do que brincar de religião. Dependendo da nossa atitude, a bondade pode significar uma incrível segurança ou um grande perigo. E temos assumido a atitude errada.

[C. S. Lewis]
– de Mere Christianity [Cristianismo Puro e Simples]

4 de janeiro de 2013

PROVE E VEJA


|4 DE JANEIRO|

A AFIRMAÇÃO cristã de que só quem faz a vontade do Pai conhecerá a verdadeira doutrina é filosoficamente precisa. A imaginação pode nos ajudar um pouco, mas na vida moral e devocional (mais ainda) tocamos em algo concreto que começará imediatamente a corrigir o vazio crescente da nossa ideia de Deus. Um só momento de sensibilidade contrita ou de gratidão poderá nos tirar, de certa forma, do abismo da abstração. É a própria razão que nos ensina a não confiarmos somente nela nesta questão, pois reconhece que não pode trabalhar sem a matéria. Quando se torna claro que você não pode descobrir, por meio do raciocínio, se o gato está ou não no armário, a própria razão lhe sussurra: “Vá lá e veja. Esse não é um trabalho meu. É uma questão para os sentidos”. Ou seja, a matéria para corrigir nossa concepção abstrata de Deus não pode ser fornecida pela razão; ela será a primeira a mandá-lo fazer a experiência: “Prove e veja!”. É claro que ela já terá mais do que provado que o seu posicionamento atual é absurdo. Enquanto permanecermos como caramujos eruditos, poderemos esquecer que, se ninguém jamais tivesse visto mais de Deus do que nós, não teríamos razões sequer para acreditar que Ele seja imaterial, imutável, impassível e tudo mais. Até aquele conhecimento negativo que nos parecia tão razoável não passará de uma relíquia que sobrou do conhecimento positivo de pessoas melhores – não passará de marcas que uma onda gigante celestial deixou na areia, depois de ter batido em retirada.

[C. S. Lewis]
– de Miracles [Milagres]

3 de janeiro de 2013

NÃO NUA, E SIM COM UMA ROUPA NOVA


|3 DE JANEIRO|

NOSSA própria situação é bem parecida com a dos caramujos eruditos. Grandes profetas e santos têm uma intuição com relação a Deus que é positiva e concreta. Pois, de tocar as vestes do seu ser, eles foram capazes de vislumbrar que ele é a plenitude da vida, da energia e da alegria. E por isso (e por nenhum outro motivo) eles têm de anunciar que Ele transcende aquelas limitações que chamamos de personalidade, paixão, mudança, materialidade e coisas do gênero. A qualidade positiva que há nEle, que ultrapassa as limitações, é a única razão para tantas negativas.
Mas quando, titubeando, chegamos em seguida e tentamos construir uma religião intelectual ou “iluminada”, o resultado é que pegamos essas negativas (infinito, imaterial, impassivo, imutável etc.) e as usamos sem temperá-las com a intuição positiva.
A cada passo do processo excluímos da nossa ideia de Deus algum atributo humano. A única razão para se jogar fora atributos humanos é criar espaço no qual colocaríamos algum atributo divino positivo. Na linguagem do apóstolo Paulo, o propósito deste despir não é deixar nossa ideia de Deus nua, mas fazer com que ela seja revestida. Infelizmente, não temos meios para realizar este revestimento. Assim que removemos da nossa ideia de Deus características elementares dos seres humanos, nós (meros investigadores inteligentes e eruditos) não temos onde buscar aquele atributo da divindade incrivelmente real e concreto que deve ser colocado no lugar do atributo humano removido.
Assim, a cada passo no processo de refinamento, nossa ideia de Deus vai sendo esvaziada, e imagens fatais começam a aparecer (um mar infinito,silencioso, um céu límpido além das estrelas, uma abóbada branca e radiante), levando-nos a um grande vazio, à adoração de uma entidade não existente.

[C. S. Lewis]
– de Miracles [Milagres]

2 de janeiro de 2013

IMAGINE UM CARAMUJO ERUDITO


|2 DE JANEIRO|


DE ONDE vem essa predisposição das pessoas de achar que Deus pode ser tudo, menos o Deus concreto, vivo, desejoso e atuante da teologia cristã? Acho que a razão é a seguinte. Vamos imaginar um caramujo totalmente erudito, um verdadeiro guru entre os caramujos, que (em uma visão arrebatadora) consegue ver, ainda que de relance, o que é um ser humano. Na tentativa de transmitir suas visões aos seus discípulos, os quais já têm seus próprios conceitos sobre o assunto (ainda que menos informados do que ele), ele terá de usar muitas negações. Terá de lhes dizer que nenhum ser humano vive em uma concha; que não vive como um molusco, grudado em uma pedra; que não vive rodeado de água, etc. E os discípulos que tiverem alguma visão, certamente, acabarão captando a ideia do que seja o ser humano.
O problema é que chegam então os caramujos intelectuais, eruditos, que escrevem histórias da filosofia e dão palestras sobre religiões comparadas, mas que nunca tiveram visão por si mesmos. Tudo o que eles conseguem extrair das palavras proféticas do caramujo são apenas os aspectos negativos, tudo isso sem o corretivo de um olhar positivo. Eles constroem, assim, uma imagem do homem como se fosse uma espécie de gelatina amorfa (ela não possui concha), que não existe em um lugar específico (muito menos grudada em alguma pedra), e que jamais se alimenta (não há ondas fazendo o alimento chegar até ela). E, fiéis à sua reverência tradicional pelo homem, eles concluem que ser uma gelatina subnutrida, que vive num vácuo sem dimensões, seja o modo supremo de existência. Assim, rotulam como grotesca, materialista e supersticiosa e rejeitam toda doutrina que atribua ao homem uma forma, uma estrutura e um sistema orgânico definidos.

[C. S. Lewis]
– de Miracles [Milagres]

1 de janeiro de 2013

JÁ PENSOU DAR DE CARA COM ELE?


|1 DE JANEIRO|

É SEMPRE chocante encontrar vida quando pensamos estar sós. “Venha ver!”, gritamos, “está vivo”. É exatamente nesse ponto que muitos recuam – eu teria feito o mesmo se pudesse – e deixam de buscar o cristianismo. Acreditar em um “Deus impessoal” – tudo bem. Em um Deus subjetivo, fonte de toda a beleza, verdade e bondade, que vive na mente das pessoas – melhor ainda. Em alguma energia gerada pela interação entre as pessoas, em algum poder avassalador que podemos deixar fluir – o ideal. Mas sentir o próprio Deus, vivo, puxando do outro lado da corda, aproximando-se em uma velocidade infinita, o caçador, rei, marido – é outra coisa. Há um momento em que as crianças que estão brincando de polícia e ladrão, de repente, ficam quietas e uma sussurra no ouvido da outra: “Você ouviu aqueles passos no corredor?” Chega uma hora em que as pessoas que ficam brincando com a religião (“a famosa busca do homem por Deus”), de repente, voltam atrás: “Já pensou se nós o encontrássemos mesmo? Não é essa a nossa intenção! E, o pior de tudo, já pensou se ele nos achasse?

[C. S. Lewis]
– de Miracles [Milagres]

31 de dezembro de 2012

AGRADECIMENTO

Um texto às vezes diz melhor o que queremos dizer - sempre fui dessa opinião - de que as palavras se organizam melhor num papel do que no ar. Entre uma e outra frase ou pensamento se pode pausar, pensar e escolher o que soará melhor, o que se encaixa melhor na ocasião. Por isso que para esse momento eu escolhi escrever e me dei oportunidade de explorar os pensamentos, e ordenar aquilo que sinto, há que não me acho muito prática ou objetiva, nem direta, nem acho que eu queira ser, talvez por isso eu não consiga resumir nosso relacionamento à ser líder ou ser discípulo, pois há muito mais envolvido nisso, pois há entrega, aliança, compromisso, amor, alguma tristeza, e tentativas, insistência, ensino e aprendizado. Não sou o patrão, o chefe ou aquele que dá as ordens - embora às vezes isso seja necessário - nem vocês os subordinados, súditos e servos - embora isso também seja necessário às vezes... Não sou pai, nem sou mãe, pois não pago suas contas, nem sua comida (ainda bem), mas trago o desejo de ver o crescimento, o acerto, a conquista, o caminho certo para cada um de vocês, tal como um pai ou uma mãe, e tal como eles vou tentar acertar, enquanto erro, tentar ensinar enquanto aprendo, e enquanto as tentativas vão sendo feitas a vida transcorre, os dias passam, os ciclos se fecham, e se iniciam novamente... E cá estamos nós, num ciclo que se fecha, para logo iniciar um outro. Às vezes não estamos vivendo a mesma época, a mesma estação, não temos o mesmo tom, as mesmas expectativas, energia ou entendimento, e mesmo assim, desalinhados, somos um... ou pelos menos tentamos, foi isso que fizemos o ano todo. Amo a cada um e tenho uma grande alegria por fazer parte de suas vidas, e muitas vezes até interferir nela. Vibro com suas conquistas, choro com suas tristezas, e humana que sou me decepciono às vezes. E mesmo assim eu continuo, assim como vocês continuam. Obrigado por continuarem, obrigado por caminharem conosco, por fazerem parte da nossa história, porque são as interferências de outras vidas que fazem a nossa vida mais interessante. E se pudesse escolher outra vez, eu escolheria isso de novo. Amo fazer o que faço, amo o porque do que faço e para quem faço. Obrigado por fazerem comigo. Obrigado por serem REVOLUTION.

Letícia Leoni Zaguine
Revo Leader

31 DE DEZEMBRO

"O Deus de Israel será a vossa retaguarda."
[Isaías 52.12]

"Porquanto não saireis apressadamente". À medida que nos aproximamos do novo ano, não o façamos com a pressa da alegria impetuosa ou da irreflexão impulsiva, mas com a força paciente da certeza de que o Deus de Israel marchará adiante de nós. Nosso passado apresenta-nos falhas irreparáveis; é verdade que deixamos passar oportunidade para sempre perdidas, mas Deus pode transformar essa ansiedade destrutiva em uma construtiva reflexão para o nosso futuro. Deixe o passado no esquecimento, mas deixe-o nas mãos de Cristo. Entregue a Ele o irreparável passado, e entre com Ele no irresistível futuro.

[Oswald Chambers]

30 de dezembro de 2012

30 DE DEZEMBRO

"Todas as minhas fontes estão em ti."
[Salmos 87.7]

O Senhor nunca remenda nossas virtudes naturais. Ele refaz o homem todo por dentro. "Vos revistais de novo homem", ou seja, cuide para que sua vida natural se revista com trajes correspondentes à nova vida. A vida que Deus planta em nós desenvolve suas próprias virtudes; não as virtudes de Adão, mas as de Jesus Cristo. Observe que, depois da santificação, Deus faz fenecer sua confiança nas virtudes naturais e em qualquer poder que tenha, até que aprenda a buscar vida nos reservatórios da vida ressurreta de Jesus. Se você estiver passando por uma experiência que produz sequidão, agradeça a Deus.

[Oswald Chambers]

29 de dezembro de 2012

29 DE DEZEMBRO

"A vista disso, muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com Ele."
[João 6.66]

Nossa tendência é nos acomodarmos e nos deleitarmos nas recordações das maravilhosas experiências que tivemos no passado. Se existe um único preceito revelado por Deus no Novo Testamento com que você não se conforma e nem se sente inclinado a fazê-lo, isso é o início da apostasia; significa que sua consciência não atende à verdade. Você nunca poderá ser o mesmo depois da revelação de uma verdade. Aquele momento o marca para prosseguir como um bom discípulo de Jesus Cristo ou retroceder como desertor.

[Oswald Chambers]

28 de dezembro de 2012

28 DE DEZEMBRO

"Se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças..."
[Mateus 18.3]

Essas palavras do Senhor se aplicam à nossa conversão inicial, mas temos de nos converter continuamente todos os dias de nossa vida, buscando sempre a Deus como crianças... O grande empecilho que há em nossa vida espiritual é o fato de que não nos dispomos a nos converter continuamente; há áreas de obstinação em que nosso orgulho cerra os punhos diante do trono de Deus e diz: "Não me renderei". Existem áreas submetidas a Deus, e isso só pode ser feito por meio dessa contínua conversão. Lenta, mas seguramente, podemos conquistar todo o território para o Espírito de Deus.

[Oswald Chambers]

27 de dezembro de 2012

27 DE DEZEMBRO

"Se voltares, ó Israel, diz o Senhor..."
[Jeremias 4.1]

As batalhas nunca são ganhas ou perdidas no mundo exterior, mas nos lugares secretos da vontade, perante Deus. O Espírito de Deus me constrange e sou obrigado a ficar a sós com Deus e travar a batalha diante dEle. Enquanto não fizer isso, serei sempre derrotado. A batalha pode levar um minuto ou um ano, isso dependerá de mim, não de Deus; mas deve ser travada a sós diante de Deus, e eu devo atravessar resolutamente o inferno de uma renúncia diante de Deus. Nada tem poder sobre aquele que já batalhou diante de Deus e venceu.

[Oswald Chambers]

26 de dezembro de 2012

26 DE DEZEMBRO

"Se, porém, andarmos na luz, como Ele está na luz... o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado."
[1 João 1.7]

Se eu andar na luz como Deus está na luz - não na luz da minha consciência, mas na luz de Deus - se andar nela, sem que nada esteja encoberto, então receberei esta maravilhosa revelação: o sangue de Jesus Cristo me purifica de todo pecado, a tal ponto que o Deus todo-poderoso nada vê de repreensível em mim. O resultado disso na minha consciência é um doloroso conhecimento do que é pecado. O amor de Deus que opera em mim me faz odiar, com o mesmo ódio do Espírito Santo, tudo o que não esteja de acordo com a santidade de Deus. Andar na luz significa que tudo o que é das trevas me impele para mais perto da luz.

[Oswald Chambers]

25 de dezembro de 2012

25 DE DEZEMBRO

"Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel."
[Isaías 7.14]

Assim como o Senhor entrou na história humana, também deve entrar em mim. Terei permitido que minha vida se transforme numa "Belém" para o Filho de Deus? Eu não posso entrar nos domínios do reino de Deus, a menos que nasça do alto através de um nascimento totalmente diferente do natural. "Importa-vos nascer de novo". Isso não é uma ordem, é um fato fundamental. A característica do novo nascimento é que eu me renda a Deus de forma tão completa que Cristo seja formado em mim. Assim que Cristo é formado em mim, sua natureza começa a atuar através de mim.

[Oswald Chambers]

24 de dezembro de 2012

24 DE DEZEMBRO

"A vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus."
[Colossenses 3.3]

O Espírito de Deus testifica da extraordinária segurança da vida oculta com Cristo em Deus e isso é constantemente ressaltado nas epístolas. Falamos de viver uma vida santificada como se isso fosse uma coisa muito incerta; porém é a mais segura, porque essa vida tem em si e por trás dela o Deus todo-poderoso. A coisa mais incerta é tentar viver sem Deus. Se já nascemos de novo, a coisa mais difícil é errar; e a mais fácil é viver em correto relacionamento com Deus, bastando que prestemos atenção às suas advertências e nos mantenhamos na luz.

[Oswald Chambers]

23 de dezembro de 2012

23 DE DEZEMBRO

"Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz do nosso Senhor Jesus Cristo."
[Gálatas 6.14]

De vez em quando o Senhor nos deixar ver o que seríamos se não fosse por Ele, para provar o que Ele disse: "Sem mim nada podeis fazer". É por isso que a base do cristianismo é um amor ardente pelo Senhor Jesus. Confundimos o êxtase de nossa experiência inicial de ingresso no reino com o propósito que Deus tinha ao nos introduzir em seu reino; seu propósito ao introduzir-nos nEle é que possamos compreender tudo o que a identificação com Jesus Cristo significa.

[Oswald Chambers]